O Nascimento do EGO…

Quando escorregamos para a vida e nascemos temos um grande impacto inicial. Um verdadeiro deslumbre com a claridade entrando em nossos olhos e o ar a encher nossos pulmões. Nascemos para fora de nossa mãe e ao cortarem nosso cordão umbilical começamos a depender do mundo aqui fora…

E o choro, muito mais que uma prova de vida, é a única interação possível ao sermos abruptamente expostos. É a reação do impacto da chegada…

Olhando do ponto de vista de cada um de nós, nascemos sem consciência nenhuma e vamos nos descobrindo aos poucos…

São nossos sentidos que nos conectam à vida: audição, visão, tato, paladar e olfato… São nossos contatos com o mundo exterior e deles todos dependemos para aprender a vida.

A formação de uma imagem própria de nós mesmos demora anos para ser moldada… e acontece com pequenos cacos de imagens que vamos juntando ao longo dos tempos e que são fornecidas por esses sentidos, principalmente a visão e o tato… imagine acontecendo dos seus olhinhos olhando pra sua mãe e sempre centrando no rosto dela e procurando qual era a emoção latente nele… e ela sempre sorria e cuidava de você… até o nossos SIM ou NÃO meneando a cabeça nasceu supostamente disso: para os lados a procura era infrutífera, não haviam seios, não havia leite, não havia vida… Então deslocando-se para cima e para baixo um SIM se desenhava toda vez ao descobrir a continuidade da vida ali naquele gesto… até hoje você mesmo inconscientemente se lembra do afeto que sentia… ai você aprendeu que o sorriso era bom, as brincadeiras eram boas… desde as primeiras expressões da mais tenra infância até os primeiros passinhos geralmente a maior companheira foi sua mãe e talvez o pai… suas referências de vida.

Observe também que você não se via… via sua mãe através dos seus olhos e se ela brincava com você de modo simples por exemplo esfregando o nariz dela no seu, você retribuia a maioria das vezes e esse relacionamento-espelho de retribuir carinhos quase sempre te acompanha até hoje.

À medida que o tempo passou e você foi crescendo foram sendo adicionados em seu dia a dia outras pessoas, além de seus pais, irmãos e família em geral… você foi descobrindo o mundo olhando-o sempre de você pra fora e observe que foi descobrindo um EU ao olhar como espelho para essas pessoas e receber delas um pouco desse EU de volta… e com isso foi montando quem era você.

Foi muito relacionamento e repetição, mas você criança não sabia quem era esse você, e desenvolveu um EU dentro de você que era somente reflexo do que os outros pensavam em relação a você… até firmar somente as nuances definidas de quem se tornaria…

Quero me ater nos detalhes dessa fase até os primeiros sete anos para observarmos o nascimento da persona em si… do personagem que somos de nós mesmos.

Desçamos dentro de detalhes para enxergar melhor: uma pessoa qualquer desse convívio te sorri e você sorri de volta, observe que você não sabe quem é você e está inconsciente ainda pra isso, mas já interage e se descobre fazendo algo ao se ver no espelho que temos na outra pessoa… isso acontece quando seu personagem sorri de volta…

Esse que sorriu em você não é o seu EU verdadeiro, é o seu EU personagem, o Ego.

Se a experiência for boa vamos tendemos a repeti-la, se for ruim tendemos a evitá-la…

Continuando, por exemplo se seu pai ou mãe for músico ou cantor ou qualquer outra coisa que eles façam e você os observa e começa a imitá-los… e na brincadeira ele ou ela começa a te ensinar… e você não tem desejo nesse momento, você só é um reflexo de seu EU que corresponde mais pelo afeto do espelho do que por vontade própria… e recebe um carinho por ter cantado junto por exemplo… mesmo errando é estimulado a fazer de novo… e de novo… e claro, começa a melhorar naquilo.

 

Observe que você nesse momento é o que os outros fizeram de você para você…

Seu Ego, aquela porção de pedaços de espelhos que supostamente é você, está se firmando e assim fazemos com tudo que vivemos nessa fase e vamos acendendo em nós, por reflexo algo que nos é sempre apresentado por alguém… e repete o ciclo… ao acertarmos somos elogiados e queremos mais, ao errarmos muito uma coisa qualquer ela passa a fazer parte de nossas experiências evitáveis…

Não gostamos das reprimendas, das broncas em todos os graus… vamos evitar isso… e vamos montando um longo quebra cabeças em caquinhos de momentos e repetições até nosso Ego estar pré-moldado. É o nosso Eu espelho, nosso Eu formado de impressões que recebemos dos outros sobre nós, mas esse não é o nosso EU VERDADEIRO que é a nossa Essência, a nossa verdadeira vontade… o que realmente somos…

Nos primeiros anos de vida esses espelhos, os “outros” são seus pais e no futuro a escola e depois a sociedade. Cada vez uma roda mais externa de pessoas a te influenciar… Então a sua base refletiva vai saindo de onde nasceu e conviveu para fora, para longe ao longo dos tempos enquanto crescemos… Cada vez expostos a um círculo mais externo de pessoas…

Então como fazer?? Viver errante a vida que os outros impuseram e impõem a nós??

Ou agora tomando consciência verificar quanto do EU é verdade e quanto é reflexo?

Quem sou EU então?

Calma!

Não há motivo para pânico. É um processo…

Nós só conseguimos conhecer nosso EU VERDADEIRO quando descobrimos o falso, o ego em nós o eu espelho… e vemos que nem tudo que fazemos é nossa vontade, nem tudo que fizemos foi desejado por nós… essa consciência é que revela o nosso EU VERDADEIRO… passamos pelo falso eu para chegar ao verdadeiro, à nossa essência. E só a partir daí podemos realmente escolher o que desejamos de verdade e descobrir nosso VERDADEIRO EU.

Agora vamos tirar a prova dos nove sobre o Ego.

Imagine que você vai comprar um carro (ou uma roupa, ou algo qualquer importante pra você hoje), mas imagine que está indo comprar e… de repente você está numa ilha deserta e não terá ninguém em momento nenhum que verá aquilo. Nunca mais… A pergunta que nos mostra o ego é: Você compraria o mesmo carro? O mesmo modelo se ninguém em momento nenhum no mundo fosse mais vê-lo??

Seja uma pessoa sincera… Eis ai o seu ego em ação…

Se não for pra interagir com “os outros” provavelmente você não compraria o mesmo modelo que compraria hoje…

Você compra um carro por querer locomoção, uma roupa para cobrir o corpo… O que for a mais que isso é sempre uma camada de ego… quanto mais exigir do mundo, maior o ego… e a vaidade e outras cascas que criamos…

E no mundo moderno em que vivemos isso é super-explorado pela mídia, pelas propagandas que te fazem sentir se mal caso você não tenha um carro ou um celular ou uma roupa ou uma casa desta ou daquela forma…

Isso é um desenvolvimento baseado somente no Ego, e materialmente conhecido como consumismo… e nos consome… Difícil desenvolver um Eu verdadeiro quando todos os flashes espocam no Ego e ofuscam o Eu verdadeiro… fala-se do Eu verdadeiro, da Essência com um Eu Oculto, e a ocultam cada dia mais embaixo das luzes do Ego.

Essa é a grande armadilha moderna…

 

Viver alheios ao mundo e não se deixar levar por nada ou sucumbir às propagandas e tentações egocêntricas do corpo??

Ser consciente, tornar-se… é muito mais que isso. É usar os recursos do mundo sem se deixar levar por vaidades tolas, descobrir e gostar do que gostar e se perguntar sempre porque gosto disso e ser sincero consigo mesmo. Assim estará liberto ou ao menos semi liberto pra ser você mesmo e conviver bem com as coisas mundanas… e permitir-se experimentar o que se permitir…

E descobrir-se em Essência…

Assim nasceu cada um de nós, para nos tornarmos conscientes nascemos ao menos três vezes:

A primeira física;

A segunda como Ego;

E a terceira como Eu Verdadeiro…

 

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